Restrições ao Desenvolvimento Econômico e a Redução da Desigualdade

Justificativa

Atualmente, o desenvolvimento econômico encontra-se diante de grave impasse. O intenso processo de acumulação, a partir da segunda metade do século XX, gerou, contraditoriamente, uma aguda concentração de riquezas. Concomitantemente a este processo, nota-se, em primeiro lugar, um aprofundamento da precarização do trabalho. O mundo do trabalho transforma-se velozmente enquanto o capital, via novas tecnologias da informação e da microeletrônica, aliadas à flexibilização, faz da força de trabalho um fator produtivo cada vez mais redundante. Em segundo lugar, em que pese o crescimento de uma consciência social de defesa do meio ambiente, o capital insiste na destruição da natureza. Nesse sentido, nesta proposta de investigação, dois eixos cruciais se destacam, os quais, por seus conteúdos perniciosos, restringem o desenvolvimento econômico abrangente, sustentável, virtuoso e democrático, a saber, 1) a precarização e a desvalorização econômica e moral da força de trabalho, e 2) a agressão ao meio-ambiente. O referencial teórico no qual se apoia este projeto corresponde à Economia Política e sua vertente chamada Economia do Desenvolvimento, a qual, expressando um viés divergente com a teoria econômica liberal-conservadora, permite a formulação de modelos e políticas de desenvolvimento econômico poderosos para o enfrentamento das tendências perversas exibidas pelo capitalismo atual. Em síntese, as transformações do capitalismo no período recente, as quais incidem pesadamente sobre o trabalho e a natureza, justificam a implementação de pesquisas e estudos para o entendimento de suas formas, dimensões e efeitos. Entretanto, considera-se importante a compreensão dessas manifestações, via um processo cooperativo, em um determinado número de países. Assim, desdobramentos conceituais e analíticos inovadores poderão ser gerados, expressando uma potencial agregação de conhecimento acerca da nossa sociedade e o desvendamento de formas de combate aos efeitos nocivos sobre a humanidade decorrentes destas acentuadas mudanças. Nessa acepção, a Economia Política permite interação e sinergia com outras áreas do conhecimento, cujos objetos epistemológicos estão ligados ao tema dessa proposta. Dessa forma, nos reportamos ao Direito, às Ciências Sociais e à Geografia. Para tal finalidade, a transversalidade e a internacionalização propostas apresentam-se como ferramentas promissoras, as quais se integram ao empenho para o crescimento da capacidade da pesquisa científica na UFBA.

Objetivo

Combate à degradação da natureza e proposições de desenvolvimento econômico sustentável

Descrição

Objetiva-se investigar como as nações organizam e implementam mecanismos de intervenção na sociedade de uma forma geral, e no sistema econômico em especial, para impulsionar formas produtivas com menor agressividade ao meio-ambiente. Nessa linha, tornam-se objetos de estudo as políticas públicas indução do desenvolvimento sustentável, tanto nos espaços urbanos como rurais – a exemplo da Política Agrícola Comum da União Europeia (PAC). A PAC tem sido um poderoso instrumento de intervenção na economia e na sociedade, e um dos pilares da integração europeia, auxiliando a consolidação do desenvolvimento econômico naquela região. Duas de suas finalidades tem intersecção este objetivo da presente proposta: (i) criação e manutenção de empregos nas indústrias alimentares e (ii) proteção ao ambiente e ao bem-estar dos animais. A PAC promove práticas agrícolas ecológicas, investigação e divulgação de conhecimento. Também organiza um sistema de ajuda mais justo e um papel mais importante ao longo da cadeia alimentar para os agricultores. Como desafio futuro destacase a resposta ao crescimento demográfico e do consumo de produtos animais, decorrentes da melhoria do nível de vida de parte da população mundial. Portanto, entendemos que a PAC deve ser tomada como um elemento de estudo axial no âmbito do projeto de cooperação internacional da UFBA, situando-se como referência para a formulação de desenhos e mecanismos institucionais de uma política pública voltada ao desenvolvimento sustentável. Buscar-se-á, portanto, a troca de experiências entre docentes e alunos de pós-graduação da UFBA e pesquisadores que atuam no campo da PAC. Instituições internacionais relevantes, capazes de oferecer bagagem teórica e empírica aos pesquisadores da UFBA, deverão ser envolvidas visando o incremento de pesquisas conjuntas em torno do tema das políticas públicas para o desenvolvimento sustentável no Brasil, sobretudo mediante estudos de casos comparados. Dentre estas, destacamos o Instituto de Estudios Sociales Avanzados, – IESA/CSIC –, da Universidade de Córdoba, Espanha. Dentre as linhas de pesquisa do IESA/CSIC, apontamos aquela que tangencia interdisciplinarmente o objetivo proposto, a saber, “Território, Ruralidade, Agricultura, Meio Ambiente e Sustentabilidade”. Portanto, entendemos a relevância do IESA/CSIC e sua capacidade de servir de esteio ao projeto de internacionalização da Universidade Federal da Bahia, aportando conhecimentos e apontando caminhos às diversas pesquisas.

Países Envolvidos

  • África do Sul
  • Coreia do Sul
  • Espanha
  • Estados Unidos
  • França
  • Reino Unido
  • Suíça

Programas Participantes

Português, Brasil